
A XPeng tem um posicionamento premium entre os construtores chineses que têm chegado ao nosso país nos últimos anos. Isso não quer dizer que não possa entrar nos segmentos mais acessíveis do mercado. Francisco Mota foi em reportagem TARGA 67 a Munique conhecer o XPeng L03, um C-SUV coupé elétrico abaixo do G6.

A tradicional divisão da oferta de automóveis pelos segmentos tradicionais, definidos essencialmente pelo comprimento, tem vindo a perder algum significado. Hoje, a oferta é tão diversificada que cada segmento passou a abordar, em alguns casos, três níveis, dependendo do preço, da imagem de marca e do posicionamento. Por isso, acaba por ser mais fácil perceber como se posiciona um novo modelo, quando a marca indica quais são os seus rivais diretos.

No caso deste novo XPeng L03, a marca nomeou o VW ID.4, Skoda Elroq e BYD Atto 3 como os oponentes diretos do seu novo C-SUV Coupé. Pode dizer-se que fica na base da oferta do segmento C-SUV, ou seja, um dos mais compactos desse segmento. Tem 4,65 metros de comprimento, 2,85 metros de distância entre-eixos e 1,60 metros de altura. Posiciona-se, portanto, claramente abaixo do XPeng G6. E como o modelo acima se chama G9, o L03, devia chamar-se… G3. Mas os homens da XPeng estavam informados do que significa “uma G3” e desistiram.

Fui a um estúdio em Munique, na Alemanha, para ver em detalhe, mas ainda sem licença para o guiar, o novo XPeng L03 e a primeira impressão que registei foi o trabalho cuidado que a marca teve com a aerodinâmica, de modo a atingir um Cx de 0,288 que é um bom valor para um veículo deste tipo e contribui para não aumentar muito os consumos, sobretudo em autoestrada.

As medidas tomadas para esse efeito foram o desenho de um perfil coupé, que melhora o escoamento de ar sobre o tejadilho, jantes aerodinâmicas, puxadores de portas à superfície, vidros das portas sem molduras, cortinas ativas na grelha da frente, entradas de ar no para-choques da frente para criar o efeito air curtains em torno das rodas da frente.

Por dentro, o ambiente é relativamente minimalista nas formas, mas não nas funções. Há um pequeno painel de instrumentos de 8,8” atrás de um volante com formas quase retangulares, dois grupos de botões multifunções nos dois braços e outros dois botões circulares destacados para as ajudas à condução e para os modos de condução. A alavanca da transmissão é a haste do lado direito da coluna de direção, libertando a consola de dois pisos para as prateleiras de carga sem fios do smartphone e para outros porta-objetos, incluindo uma prateleira inferior. O ecrã tátil central tem generosas 15,6” e assenta no tablier. Tem ícones grandes, mas não estava a funcionar em pleno no dia em que o visitei.


Os bancos da frente pareceram confortáveis com algum apoio lateral, mas não muito grandes. O espaço atrás é generoso em comprimento, o banco é confortável e o espaço em altura não é um problema. Contudo, o piso liso poderia ser mais baixo, para permitir que as coxas fiquem melhor apoiadas no assento. A mala tem a boca de carga mais alta que o fundo, o que nunca é ótimo, mas a forma interior parece otimizar a arrumação, tem 367 litros e o “frunk” leva 89 litros, suficiente para os cabos da bateria. A qualidade dos materiais pareceu boa, mas preciso de ver uma versão final à luz do dia para emitir uma opinião definitiva.

Em termos mecânicos, o XPeng L03 está disponível em várias versões 100% elétricas. O Standard Range tem bateria LFP de 58,3 KWh e 445 Km de autonomia. A tração é às rodas traseiras, tem 245 cv e os 0-100 Km/h demoram 7,5 segundos. O Long Range tem bateria de 71,2 KWh, 520 Km de autonomia, os mesmos 245 cv, tração atrás e 0-100 Km/h em 6.6 segundos.

Acima destes RWD, há dois AWD. O AWD Performance tem a mesma bateria de 71,2 KWh, 440 Km de autonomia, 388 cv e 0-100 Km/h em 4,5 segundos. O Ultra AWD tem o mesmo motor e prestações, mas a autonomia é de 480 Km. De referir também que a bateria carrega até 236 KW DC, na versão mais potente, demorando 20 minutos para carregar dos 10 aos 80%.

Por fim, existe também uma versão elétrica com extensor de autonomia. A tração às rodas traseiras é sempre elétrica e o motor a gasolina 1.5 de 4 cilindros e 75 cv só serve para atuar o gerador e carregar a bateria de 37,5 KW, que assim alimenta o motor elétrico. A potência total combinada é de 245 cv. A bateria pode ser carregada até aos 236 KW DC, demorando 20 minutos para subir dos 10 aos 80% de carga. O depósito de gasolina leva 42 litros e o consumo anunciado com a bateria a zero é de 5,5 l/100 Km. Com estes valores, a XPeng prevê uma autonomia em modo 100% elétrico de 210 Km e 1000 Km de autonomia total.

O marketing da XPeng menciona que a Inteligência Artificial foi usada para projetar o L03 e que a versão Ultra tem um circuito integrado mais potente do que o normal, que se chama Turing e que permite realizar mais operações por segundo, tornando assim os sistemas elétricos do L03 também mais rápidos e precisos.

O início de comercialização está previsto para o final do ano. Ainda não existe uma tabela de preços final, mas o importador, a Caetano Auto, prevê que o EREV fique abaixo dos 40 000€ e que o mais barato dos elétricos fique pouco acima. Agora, espero com curiosidade a oportunidade de testar este L03, sabendo como os XPeng têm realmente um tato de condução acima da média dos elétricos que têm chegado da China nos últimos meses.
Ler também, seguindo o link: TESTE – XPeng G6: À caça do Model Y
