
A XPeng mostrou a mais recente edição do P7+, estreada no recente Salão de Pequim. E anuncia o seu topo de gama como um “três-em-um” afirmando que o modelo é um desportivo, um familiar espaçoso e uma berlina confortável. Francisco Mota foi em reportagem saber mais detalhes, na apresentação do modelo em Lisboa.

Não, não é mais um SUV chinês elétrico com formas de sabonete gasto e mais potência do que aquela que consegue utilizar. O novo XPeng P7+ é uma berlina com 5,071 metros de comprimento que se posiciona no segmento E, ou seja, rival do BMW i5 e do Mercedes-Benz EQE. Ambição não lhe falta, ao posicionar-se neste segmento, sobretudo tratando-se de uma marca chinesa recente.

Representada em Portugal pela Salvador Caetano Auto, a XPeng já vende 50% da sua produção fora da China, tendo tido um assombroso crescimento de vendas de 75%, entre 2024 e 2025. Em Portugal, a subida percentual foi ainda maior, como seria de esperar. O C-SUV G6 tem sido o ponta de lança das vendas, um rival muito próximo do Tesla Model Y, sendo capaz de o bater em alguns pontos.

Mas a XPeng não se fica pelos dois SUV, G6 e G9, na sua entrada no mercado europeu. Para marcar o seu posicionamento premium, aposta também na berlina P7+ que agora recebeu uma extensa atualização. A marca chama-lhe um “fastback otimizado com IA” numa referência ao seu estilo de berlina cinco portas com perfil coupé e na utilização da Inteligência Artificial no desenvolvimento de algumas áreas, nomeadamente nas ajudas eletrónicas à condução.

Utiliza o circuito integrado Turing AI, que dispõe de 750 TOPS (Tera Operações Por Segundo) de capacidade de computação. Isto permite melhorar as mudanças de faixa automáticas, estacionamento remoto inteligente e condução autónoma em autoestrada.

Em termos de estilo exterior, a XPeng evoluiu o P7+ mantendo uma linguagem que o integra facilmente na gama disponível em Portugal. A vista mais impressionante é mesmo a lateral, com um Cx de 0,21. O habitáculo tem materiais que me pareceram de boa qualidade geral e existe muito espaço em comprimento, em particular nos bancos traseiros. Mas o piso plano é relativamente alto, face ao assento, obrigando as pernas a viajar mal apoiadas. O problema típico dos elétricos de baixa altura. A mala tem 573 litros de capacidade. Foi feito um estudo detalhado das condições acústicas do habitáculo, para colocar os materiais insonorizantes nos locais mais eficientes, com a missão de não deixar entrar ruídos do exterior.

Em termos de plataforma e de chassis, de referir a suspensão com braços duplos sobrepostos, na frente e multibraço, atrás. Os amortecedores são adaptativos em contínuo. A bateria funciona numa arquitetura de 800 Volt e está colocada sob o piso com várias proteções. Pode ser carregada até 446 KW DC demorando apenas 12 minutos para ir dos 10 aos 80% de carga. A bateria tem oito anos de garantia ou 160 000 Km e o automóvel tem cinco anos de garantia ou 120 000 Km. A autonomia anunciada (ciclo WLTP misto) é de 530 Km.

Existem três versões: RWD Standard Range com tração traseira e bateria LFP de 61,7 KWh e 245 cv (180 KW); RWD Long Range com bateria de 74,9 KWh e 313 cv (230 KW) e finalmente a versão de topo AWD Performance de tração às quatro rodas, com a mesma bateria de 74,9 KWh e 503 cv (370 KW). Por enquanto só foi dado preço para a versão base que já está disponível: 48 350€.

A imagem da XPeng na Europa ainda está em construção, mas o P7+ já tem os argumentos certos para rivalizar com alguns produtos premium europeus. O preço e o espaço interior são os mais lógicos, pois são também os mais valorizados no mercado chinês. Agora falta um Teste Targa 67 para avaliar todo o produto.
Ler também seguindo o link: TESTE – XPeng G6: À caça do Model Y
