O evento chamou-se Mini Unleash e a ideia era largar os “cavalos” das versões JCW de vários modelos da Mini, elétricos e a combustão. Várias manobras foram planeadas na base militar da Ota e o Francisco Mota esteve lá para cumprir o plano com obediência militar. Reportagem fotográfica de João Apolinário.
Ter um automóvel com mais potência que o normal é bom, na minha opinião, mas nem sempre existem as condições perfeitas para a utilizar na via pública. Foi deste pressuposto que nasceu o evento “Mini Unleash”, organizado na base aére da Ota, na região de Alenquer, nas pistas não utilizadas pelos aviões da força aérea. Neste cenário, com toda a segurança e espaço de sobra para qualquer erro de cálculo dos condutores, a Mini montou um conjunto de exercícios onde os condutores convidados puderam explorar os limites dinâmicos de vários modelos da marca, elétricos e a combustão, mas todos nas versões mais potentes John Cooper Works.

Todo-o-terreno para começar
Num sistema rotativo, organizado por grupos, calhou-me começar pela pista de todo-o-terreno, a bordo de um Countryman SE ALL4 elétrico, uma máquina com 313 cv e tração às quatro rodas. O percurso entre arvoredo denso e justo aos caminhos começou por parecer muito fácil, com terreno arenoso e algumas pedras soltas. Mas logo se complicou com uma zona de desce e sobe com alguma lama.

Devo notar que os pneus utilizados eram os normais de série, mais vocacionados para andar depressa no asfalto que devagar na terra. Ainda assim, com o Mini em modo Trial, passou por esta zona sem o mínimo de dificuldade. Depois a coisa complicou-se com uma descida íngreme, onde o controlo de descida garantiu total controlo a baixa velocidade. Mais uns “esses” entre árvores, sem riscar a pintura, e começaram as subidas.

Tração elétrica
Uma das várias subidas tinha terra solta. Iniciei com o mínimo de velocidade, para ver como a tração elétrica e o controlo de tração se comportava e parei a meio. Depois voltei a pôr o Mini em marcha, as rodas da frente patinaram por instantes, o controlo de tração atuou e as de trás ajudaram. Depois de encontrada a relação binário às rodas/aderência ideal, o Mini trepou pela subida sem problemas e com uma entrega de binário minuciosa, só possível com tração elétrica às quatro rodas.

Roda no ar
Finalmente uma subida a terminar na entrada numa estrada principal, aqui a dificuldade era a parte final, onde o fundo do carro raspava no chão por momentos, sem estragar nada e com a distribuição de binário a garantir a progressão sem necessidade de repetição. No final, fiquei francamente impressionado com o desempenho deste modelo.


“Launch control”
A segunda prova, com o Aceman eJCW de 258 cv mas tração à frente, foi um arranque ao estilo americano, numa reta muito longa, com dois carros lado a lado e até uma torre com luzes vermelhas e verdes. “Launch control” ativado, pé esquerdo a fundo no travão, pé direito a fundo no acelerador, o Mini estremece um pouco até que a luz verde acende e largo bruscamente o travão.

As rodas motrizes entregam todos os 494 Nm ao terreno, no limiar de patinarem e lutando com a areia que o vento tinha depositado no asfalto. No final da reta, o Mini tocou os 190 km/h e segui-se uma travagem totalmente a fundo, com o ABS obrigado a horas extraordinárias durante uns metros até imobilizar o carro sem o mínimo de instabilidade.


Gincana com Cooper de corrida
Próxima prova, troco para o Mini Cooper JCW de 231 cv a gasolina. Primeiro na versão de estrada, ataco uma espécie de gincana, com algumas portas feitas de cones, num zigue-zague largo que mostrou a estabilidade em mudanças de direção a alta velocidade e depois um slalom mais lento, para provar a facilidade de mudança de direção, ajudada com ligeiras saídas de traseira e a boa tração.

Logo a seguir, o mesmo exercício com um Mini Cooper S Cup, um dos modelos usados no troféu monomarca que se disputa em Espanha. O motor não tem mais potência, mas tem uma cartografia diferente, que dá privilégio às altas rotações. Suspensão, travões e direção também foram alterados, bem como os pneus.

O banco de competição dá um suporte que me faz sentir parte do carro e o capacete protege até das pancada da cabeça no “roll-bar” nas entradas e saídas do carro. Caixa manual, arranque sem grande fulgor e depois uma atitude logicamente muito mais estável, quase sem inclinação lateral.


Muito boa tração e só a caixa pareceu um pouco lenta, obrigando a desenhar bem o “H”, sobretudo com o carro inclinado. Para ser honesto, a experiência com este carro de competição deixou àgua na boca: num circuito “a sério” será concerteza muito mais divertido de guiar.
Modo “Go-Kart”

Finalmente, e para justificar o nome “go-kart” do modo de condução mais desportivo, foi desenhado um mini-kartódromo com cones à frente de um hangar. A ideia era comparar a agilidade de um Mini Cooper eJCW elétrico com 258 cv com um kart a gasolina do estilo dos de aluguer. Rente ao chão, com um motor de combustão atrás das costas, arranco para o percurso a bordo do kart, sentindo todas as imperfeições do asfalto, com muitos ganchos e oportunidades de colocar o kart a escorregar de traseira ou às quatro rodas. Um volta de reconhecimento e outra para arriscar tudo, que acabou por atirar pelo ar alguns cones…


Subindo para o Cooper JCW, a vista lá “do alto” parecia fazer crer que a pista improvisada era demasiado estreita, mas a verdade é que o Cooper JCW mostrou, não só, que lá cabia, como era realmente possível usufruir da sua direção direta, do binário imediato de 350 Nm e boa tração para fazer um “tempo” muito aceitável, não fosse um erro de percurso fruto de excessivo otimismo na entrada de um dos ganchos. Ainda assim, mais divertido do que estava à espera.
Conclusão
Para quem nunca tivesse experimentado a gama JCW, decerto foi uma manhã bem passada, não só em termos de diversão, mas de conhecimento dos vários modelos em condições extremas e muito difíceis de reproduzir em estrada pública. Mesmo para quem tivesse conhecimento dos JCW, como era o meu caso, algumas provas vieram mostrar competências que conhecia mal, sobretudo a do Countryman SE All4 em percurso fora de estrada. Uma iniciativa muito interessante e que importa repetir.
ler também, seguindo o link:Teste – Mini Countryman SE All4: Elétrico pouco mini
