
A Mitsubishi continua a reconstrução da sua gama europeia. Desta vez é o nome Grandis que regressa, num modelo com um posicionamento diferente do monovolume do início dos anos 2000. Saiba toda a história no Primeiro Teste TARGA 67, conduzido por Francisco Mota e fotografado por Javier Jimenez.
Era um dos poucos monovolumes compactos capaz de levar sete adultos sem que o sexto e o sétimo fossem com a cabeça entre os joelhos. Tinha um robusto motor 2.0 TDI fornecido pela VW, que lhe dava força e baixos consumos. A juntar a tudo isso, ainda se apresentava com um estilo original, fácil de gostar e tipicamente japonês, o que não é uma tarefa nada fácil para qualquer estilista.

Ainda hoje se encontram Mitsubishi Grandis na rua, agora com mais de vinte anos de serviço, mas com uma boa reputação de longevidade. Tudo isto são razões mais do que suficientes para a Mitsubishi recuperar o nome Grandis, mas com uma atitude totalmente diferente.
De MPV a SUV
Em vez de monovolume, agora não podia deixar de ser um SUV, neste caso posicionado pela marca na base do segmento “C” com os seus 4413 mm de comprimento. Em vez de usar um motor Diesel, a Mitsubishi vende-o somente com um motor 1.3 a gasolina, acoplado a um sistema “mild hybrid”. São os sinais dos tempos.

Não é segredo para ninguém que a reconstrução da gama Mitsubishi na Europa está a ser feita pela Renault, parceira da Aliança que também inclui a Nissan. À exceção do novo Outlander, que partilha a plataforma com os parceiros, mas com um estilo e interiores diferentes, todos os outros são declinações de modelos Renault.

Gémeo do Symbioz
No caso do Mitsubishi Grandis, o modelo da Renault usado é o Symbioz, feito com base na plataforma CMF-B. Tal como no Colt e no ASX, também no Grandis as diferenças para o modelo da Renault vão pouco além da troca do losango pelos três diamantes e um pequeno rearanjo estético.

A falsa grelha em cima é diferente, os contornos dos faróis também e os contrastes de cores fazem o resto. As jantes de 18” também têm direito a um desenho específico. Atrás, a parte das luzes que está na tampa da mala também é nova. Tudo o resto é igual.

Por dentro
Por dentro as maiores alterações estão na escolha de cores dos revestimentos e dos símbolos da marca. Nada disto é um problema, pois o Symbioz tem um habitáculo razoável para o segmento C-SUV. Os comandos principais estão bem posicionados, o painel de instrumentos não tem excesso de informação e o ecrã tátil central de 10,4” disposto na vertical está suficientemente organizado, tendo uma linha de atalhos.

Tem Google Auto, com as aplicações Maps, Assistant e o Google Play, para comprar outras aplicações. Um “detalhe” importante é que a garantia é de oito anos ou 160 000 Km.

Espaço adequado
O espaço nos lugares da frente é mais que suficiente e na segunda fila existe a possibilidade de deslizar o banco em 160 mm, fazendo aumentar o espaço para passageiros ou para carga. A capacidade da mala varia assim entre os 576 e os 708 litros.


Só em “mild hybrid”
O Grandis está à venda em Portugal apenas com o motor 1.3 turbo de quatro cilindros e injeção direta, acoplado a um sistema MHEV. A potência máxima é de 140 cv e o binário de 240 Nm, constante entre as 2500 e as 3500 rpm.

O motor/gerador elétrico é accionado por correia e ajuda o motor a gasolina nos arranques e nas recuperações, carregando uma bateria de iões de Lítio e 0,13 KWh, nas desacelerações. Em opção há uma caixa de velocidades manual de seis ou uma automática de dupla embraiagem de sete relações.

Manual ou dupla embraiagem
A Mitsubishi anuncia uma aceleração 0-100 Km/h em 10,6 segundos, para a versão com caixa manual e de 9,4 segundos, para a caixa de dupla embraiagem. O consumo médio anunciado é de 5,9 l/100 km, usando o modo Eco.

Neste Primeiro Teste fui reencontrar todas as características conhecidas do Renault Symbioz, como seria de esperar. A suspensão MacPherson, na frente e barra de torção, atrás, consegue um bom controlo da carroçaria em curva e conforto razoável em mau piso.

Boa elasticidade
A disponibilidade de binário a baixos regimes é muito boa, com o motor/gerador elétrico a ajudar o quatro cilindros antes de o turbocompressor chegar à pressão máxima.

A direção tem o peso certo e os pedais são fáceis de modular. A visibilidade é boa e o diâmetro de viragem de 11,1 metros facilita a condução em cidade.

Mais chassis que motor
Em estrada, os 140 cv e 240 Nm são suficientes para um andamento relativamente rápido, apesar dos 1682 Kg de peso total.

Uma coisa é certa, a afinação da suspensão transmite aquela sensação típica dos Renault, de que o “chassis” seria capaz de lidar com mais potência, o que é sempre reconfortante.
Conclusão
O Grandis já está à venda, apenas com uma motorização e um nível de equipamento, o Intense, bastante completo. Custa 31 990 euros, com caixa manual e 34 990 euros, com caixa automática de dupla embraiagem.
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