Após quatro anos de carreira, a atual geração do Peugeot 308 recebe o programado restyling. As alterações não foram muitas, nem podiam ser quando se trata do Nº1 de vendas do seu segmento em França e Portugal. No Primeiro Teste TARGA 67, Francisco Mota foi confirmar o que mudou no 308 e 308 SW.

É verdade que o segmento C já vendeu mais do que vende, mas os melhores modelos dessa franja do mercado continuam com uma performance muito estável há vários anos, como é o caso do Peugeot 308 e 308 SW. Em particular esta geração do 308 tem tido uma carreira muito sólida, assente num certo carisma francês e num estilo desenhado para durar. Por isso, as mudanças exteriores foram poucas.

Basicamente, mudou o arranjo da grelha, com logotipo iluminado e das luzes de dia da frente que agora estão unidas por uma nova assinatura luminosa; bem como dos para-choques da frente com um novo desenho das “air curtains” com zonas em preto. Os guarda-lamas da frente são também ligeiramente mais largos.


Pequenos detalhes
O para-choques de trás também mudou e passou a ter a especificação GT em todas as versões, com saídas de escape falsas trapezoidais e acabamento de aspeto metálico. Mudou também o desenho das luzes de trás, continuando com três segmentos de LED cada, mas em posição diferente. Claro que as jantes também mudaram, passando a ter desenho sem simetria radial em alguns casos e corte por Laser.

O resultado é muito bom, percebe-se que é uma evolução, mas que continua a ser um Peugeot 308, mantendo todas as proporções e formas do inspirado estilo original, feito sob a direção de Gilles Vidal, que entretanto esteve uns anos na Renault e voltou agora para a Stellantis. A carrinha é particularmente do meu gosto, parecendo quase um modelo do segmento acima.

Em termos mecânicos, as mudanças relevantes foram a troca de baterias tanto no caso da versão 100% elétrica, o E308, como no 308 PHEV. Por agora, a gama terá três motorizações: MHEV, PHEV e BEV. Mais tarde chegará o Diesel. Os níveis de equipamento são os conhecidos Style, Allure, GT e GT Exclusive, existindo ainda uma versão para empresas, o Business. Tudo fabricado em França.
Europa na Ericeira
A Peugeot escolheu a Ericeira como o centro de operações da apresentação pan-europeia do renovado 308 e 308 SW. As estradas do Oeste são muito variadas, entre o bom piso e o remendado, com zonas de muitas curvas e outras mas rápidas e nem faltam autoestradas alí perto. Com esta “matéria prima” a equipa de reconhecimentos da marca, veio para a Ericeira uns seis meses antes para explorar as estradas e definir vários percursos para propôr aos jornalistas. O maior demorava duas horas e tinha cerca de 130 Km.

Foi esse percurso que escolhi para o Primeiro Teste Targa 67 da 308 SW Hybrid (MHEV, ou mild hybrid) a versão que será a mais procurada por clientes particulares e a carrinha mais vendida em Portugal há quatro anos. Abri a porta do condutor e encontrei um ambiente familiar, com os excelentes bancos desta versão GT Exclusive a proporcionarem conforto e bom suporte lateral. O nível de qualidade continua a ser “premium” com materiais de muito bom tato em praticamente todo o habitáculo.


Qualidade Premium
O painel de instrumentos foi retocado, continua a ser fácil de ler e não está atafulhado de informação fornecida em forma de texto. Claro que continua a ter que ver consultado por cima do volante, que lhe tapa a base. É sempre necessário baixar o volante um pouco mais do que o habitual. O ecrã tátil central tem uma organização pouco intuitiva mas inclui um friso de atalhos táteis configuráveis que facilitam muito a utilização. Existindo ainda um friso de teclas rígidas para funções de uso frequente.


Mais abaixo, no plano horizontal da consola permanece o comando balanceiro e encastrado que critico desde que foi lançado, por ter uma ergonomia difícil e ser lento. As mini-teclas do P e do B que o acompanham também são… pequenas. O porta-copos está ao lado e tem cobertura.
Volante pequeno continua
O volante pequeno acaba por ter uma boa pega, teclas físicas fáceis de usar e duas patilhas para a seleção das seis relações da caixa de dupla embraiagem, que contém um motor elétrico. Este motor garante o arranque 100% elétrico, desde que a bateria tenha carga e ajuda o motor a gasolina nas recuperações. A velocidade muito baixa em cidade (menos de 30 km/h) pode levar o 308 sozinho durante pequenos períodos. Mas a Peugeot afirma que é possível guiar 50% do tempo em cidade sem ligar o motor a gasolina.



Tudo o que tem a ver com o motor e transmissão se passa com grande suavidade, a insonorização está bem feita mas o que mais agrada é mesmo o conforto da suspensão. Mesmo em mau piso, percebe-se que a Peugeot não poupou na qualidade dos amortecedores que têm um desempenho notável.

Conforto e controlo
Em estrada, o conforto continua a estar em grande, num habitáculo que leva melhor quatro que cinco adultos, mas tem bom comprimento nos lugares da segunda fila. A mala tem uns generosos 598 litros de carga, com acesso bastante baixo e fundo regulável em dois níveis.

Em autoestrada, o motor mostra sempre força a baixos regimes e pouco ruído quando se faz subir as RPM. Só um ouvido conhecedor identificará de imediato que as frequência vindas da frente têm origem num tricilindrico turbocomprimido. Na verdade, a parte híbrida compensa exemplarmente a falta de ação do turbo abaixo das 2000 rpm, altura em que o compressor recebe o testemunho e corre em direção ao red-line, única fase em que o conjunto não aprecia trabalhar.

Passando a uma estrada secundária sinuosa, o 308 SW Hybrid continua a ser muito bem servido pelo motor, com acelerações mais que aceitáveis (0-100 Km/h em 9,0 segundos) e um pedal de travão fácil de dosear. A direção também tem a assistência certa, em qualquer um dos três modos de condução disponíveis: Eco/Normal/Sport. Claro que existe uma certa inclinação lateral em curva, pois a suspensão tem que ser relativamente macia para garantir o conforto.

Mas nada que importune a sensação de controlo dos movimentos da carroçaria, mesmo quando se conduz nos limites de aderência da estrada e dos pneus. Durante este Primeiro Teste o consumo médio raramente passou dos 6,5 l/100 km, mas isto é matéria que fica para uma análise mais detalhada no próximo Teste TARGA 67. O preço base desta motorização é de 34 635 euros.
Ao volante do elétrico
Guiei também uma berlina de cinco portas na versão Electric, o 100% elétrico com bateria de 58,3 KWh (55,4 KWh úteis) recarregável até 100 KW DC, onde demora 32 minutos para ir dos 20 aos 80%. Tem 156 cv de potência máxima e 270 Nm de binário e faz os 0-100 Km/h em 10,0 segundos. Desta vez num percurso mais pequeno, pois o programa do dia não permitia mais.

Aqui, a suavidade sobe a um novo patamar, obviamente devido à tração elétrica às rodas da frente. A destacar neste caso a boa modelação de binário entregue às rodas, permitindo arranques no trânsito nunca bruscos, nem amorfos. Como acontece muitas vezes, o modo Eco é o mais suave e mais confortável de usar em cidade, com o pedal de travão a fazer uma boa transição entre a travagem magnética e a travagem mecânica.

A suspensão consegue um nível de conforto próximo ao do Hybrid mas como o peso é maior tiveram que ser usadas molas e amortecedores ligeiramente mais firmes. Também em zonas de travagem forte se nota o peso, exigindo mais ao pedal de travão, bem como maior movimento da carroçaria, se a travagem for em curva. No máximo, o ESC entra em campo e resolve a questão. Preço base de 41 195 euros.
Conclusão
A verdade é que a Peugeot não precisava de fazer nenhum restyling ao 308, que continuava a ter um aspeto perfeitamente moderno. O mesmo se pode dizer das motorizações e de todo o acerto dinâmico bem como do nível de qualidade e de espaço a bordo. Mas a concorrência não está parada, por isso é sempre bom não deixar de cumprir o plano previsto para o ciclo de vida do modelo.
Ler também, seguindo o Link. Primeiro Teste – Peugeot E-308 SW: A mais vendida torna-se elétrica
