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Crónica à 6ª

Crónica – Hidrogénio está cada vez mais próximo

Francisco Mota
Última atualização: 15 de Dezembro, 2023 10:52
Por Francisco Mota
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15/12/2023. Pela primeira vez, a COP28 chegou a acordo ao emitir uma conclusão dos seus trabalhos na cimeira do clima em que refere a necessidade do afastamento dos combustíveis fósseis. Esta determinação é considerada histórica pela ONU e indica o Hidrogénio, como a futura fonte de energia.

Conteúdos
Muitos lobbiesA redação finalHidrogénio pela primeira vezO que é o CCSAs cores do HidrogénioO Hidrogénio brancoConclusão

 

Pode parecer incrível que, dado o cenário de urgência climática reconhecido por muitos países e o facto da ONU ser um dos organismos que mais tem alertado para o problema, só ao fim de 30 anos tenha surgido uma determinação explícita no sentido do fim dos combustíveis fósseis.

Mas foi isso mesmo que aconteceu na cimeira do clima da COP28. A Conference Of the Parties (Conferência das Partes) é o orgão superior no que respeita a decisões sobre o clima no seio da ONU e foi organizada pela 28ª vez em 2023, no Dubai.

É uma das maiores conferências globais, reunindo 200 países para fazer o diagnóstico da situação climática mundial e determinar medidas, aceites pelos participantes, no sentido de minorar os efeitos negativos da atividade Humana no clima do planeta.

Muitos lobbies

Há vários lobbies nestas conferências, como é normal, desde os defensores de mudanças radicais na maneira como se produz e consome energia, até aos produtores de petróleo e derivados, que, tradicionalmente, defendem uma via muito diferente.

É por isso muito difícil chegar a resoluções que sejam aceites pela maioria, mas o tema da emergência climática e a tomada de medidas para evitar a subida de 1,5 graus na temperatura média do planeta até 2030, tem ganho muito espaço em termos mediáticos.

Os alertas sucessivos da ONU têm tido efeito no despertar do tema. Os fenómenos identificados como alterações climáticas são relacionados com o aumento de dióxido de carbono na atmosfera, por sua vez atribuído à atividade humana.

A redação final

O alcance desta mensagem tem levado, mesmo os países produtores de petróleo, a dar mais atenção aos apelos que têm sido feitos no sentido da transição energética.

Contudo, na COP28, a Arábia Saudita, um dos grande produtores de petróleo, não aceitou que a expressão “phase-out”, ou seja, uma eliminação progressiva da queima do petróleo, integrasse o texto final.

O consenso a que se chegou apenas permitiu a expressão “transição para o abandono dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos” na redação final do documento. Por uns considerada uma conquista histórica, por ser a primeira vez que os combustíveis fósseis são diretamente indicados.

Por outros considerada uma determinação que fica aquém do necessário, para atingir as zero emissões em 2050, o objetivo de longo prazo da ONU.

Hidrogénio pela primeira vez

O pacote energético agora definido, inclui uma diretiva para triplicar o esforço de produção de energias renováveis até 2030 e duplicar a taxa de eficiência energética, no mesmo período.

Na mesma determinação da COP28, é referido que a produção de Hidrogénio, com baixo consumo de carbono, deve ser acelerada, em paralelo às energias renováveis, nuclear e a captura e armazenamento de carbono.

Foi também a primeira vez que o Hidrogénio produzido com baixo consumo de carbono foi especificamente referido numa conferência do clima da ONU como alternativa aos combustíveis fósseis.

Quando se fala em baixo consumo de carbono, está a falar-se em Hidrogénio produzido a partir de fontes de energia renováveis, mas a energia nuclear também é aceitável, o que não é visto com bons olhos por muitos observadores.

O que é o CCS

O mesmo se passa com a captura de carbono e armazenagem (CCS, ou Carbon Capture and Storage) um processo em que o CO2 é capturado à saída de instalações de grande emissão deste gás, como refinarias, centrais de produção de energia a partir da queima de petróleo ou carvão e outras.

O CO2 é depois transportado em estado líquido através de um “pipeline” ou em contentores levados por via marítima, rodoviária ou ferroviária. A seguir, o CO2 será armazenado permanentemente em formações rochosas no subsolo, como minas ou depósitos naturais de petróleo e gás desativados.

A outra hipótese é utilizar uma parte do CO2 para indústrias como os fertilizantes para a agricultura, sistemas de refrigeração e até na indústria alimentar.

Alguns observadores afirmam que o CCS é um processo que pode ser aproveitado pelos produtores de petróleo como justificação para legalizar a continuação da sua atividade.

As cores do Hidrogénio

O Hidrogénio produzido através da eletrólise da água, utilizando energia elétrica de fontes renováveis, o chamado Hidrogénio verde, recebe assim um impulso significativo a nível político, como opção para o futuro, tanto na indústria como nos transportes.

Contudo, alguns especialistas consideram que a escalada de produção do Hidrogénio verde nunca será suficientemente rápida, nem terá a dimensão necessária, caso o consumo suba consideravelmente. Vão ser precisas outras “cores” de Hidrogénio.

O cinzento, castanho ou preto é produzido a partir de fontes fósseis, deixando de ser uma verdadeira alternativa no ciclo completo. Apesar de continuar a ter todas as vantagens do verde, em termos de emissões locais. Mas aquilo de que mais se fala é do Hidrogénio branco, ou dourado.

O Hidrogénio branco

Durante séculos pensou-se que o Hidrogénio não se encontrava como elemento isolado na natureza, estando sempre associado a outros elementos, como o Oxigénio ou o Carbono. Mas foram descobertos depósitos naturais de Hidrogénio em vários países, entre eles a França, EUA, Coreia do Sul e até em Espanha, na região de Aragão.

Trata-se de depósitos situados a profundidades que variam entre os mil e os três mil metros, em formações geológicas favoráveis. A sua extração já está a ser feita, mas ainda existem passos a dar no desenvolvimento das técnicas de exploração.

Uma coisa parece certa, o acesso a grandes quantidades de Hidrogénio branco pode baixar o preço para menos de metade daquele que é produzido a partir de fontes fósseis, o cinzento. Há quem diga que estas descobertas podem tornar o Hidrogénio no novo petróleo.

Conclusão

Numa altura em que a transição para os veículos elétricos ainda está muito atrasada, será precoce falar já de Hidrogénio e de Fuel Cell? Os políticos europeus pensam que não e estão a tomar medidas para aumentar a rede de postos de abastecimento nas principais estradas da Europa, a intervalos máximos de 200 km. Isto porque, a tecnologia Fuel Cell não é encarada com uma alternativa aos veículos elétricos a bateria, mas um complemento, pois tem características que a tornam numa solução particularmente bem adaptada ao transporte rodoviário pesado e aos trajetos de longo curso. Uma coisa é certa, o Hidrogénio está cada vez mais próximo dos meios de transporte.

Francisco Mota

Ler também, seguindo o link:Crónica – porque a Tesla tem medo do Hidrogénio

TAGGED:FCEVfeaturedFuel CellH2HidrogénioHydrogenHyundaiMiraiNexoToyota
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